Eu não sei pra onde devo ir.
Não há caminho aberto,
não há sequer destino.
Falta me rumo, falta me os pés.
Até ontem me faltava coragem
não havia força,
não havia brilho
Faltava me empenho, faltava me sentido
À tarde, o silêncio chegou.
Passou pelo friso da janela
sem que a gente percebesse.
Sentou do meu lado e não fez nada mais.
Olhou triste.
São cinco e pouco de sei lá que dia
São duas almas, um apartamento e uma longa vida.
Sonhei com os dias que não tivemos juntos,
com as risadas que não demos,
com os olhares que não trocamos.
Agora são seis e mais alguma coisa
deste mesmo dia.
Há quem sonhe, há quem diga (escreva)
As almas, fatiadas da procura extensiva,
se tocam ainda tímidas, sem muita demasia
A sala ficou laranja,
seu rosto, já não vejo
à minha frente, poesia de preto.
sábado, 23 de junho de 2007
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